Espiritualidade x realização pessoal: uma equação possível

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Ontem fui almoçar com minha filha e minha mãe. Minha filha está vivenciando hoje um dilema em relação ao seu caminho profissional. Na sua agonia de se dar bem financeiramente, fazer algo que gosta e usufruir de um bom ambiente de trabalho – coisa que não está ocorrendo –  começa inclusive a duvidar da existência de Deus e do seu caminho espiritual. Está brava com o divino!

Acho extremamente benéfico. Já vivi isso, e na época mais difícil da minha vida financeira, cheguei a colocar Deus na parede e questionar raivosamente a sua presença. Para uma pessoa dura e incrédula como eu, este foi o primeiro momento verdadeiro onde falei com o Sagrado, emocionalmente envolvido. Antes, minhas orações eram algo muito distante, como minha mente dissesse alguma coisa para ver no que iria dar… No fundo, eu não acreditava em Deus, embora tenha vivido toda a minha vida freqüentando diversas linhas espirituais.

O ego humano não foi feito para crer. Ele foi feito para duvidar, questionar, comparar. E a presença divina não é algo para se acreditar com a cabeça. Ela simplesmente é. Somos. Isso é demais, para a cabeça, não é mesmo? Se tudo é Deus, eu também sou. Mas se eu sou Deus, como posso viver tantas neuras? Como posso estar tão distante do meu Ser? Este é o grande mistério, que vai sendo vencido principalmente nas situações onde perdemos o controle: dificuldades financeiras, de relacionamento, uma doença grave, a morte de alguém querido… quando percebemos claramente a nossa impotência… o nosso fracasso… a nossa incapacidade de transformar a dor…  São nestes momentos, difíceis e duros, eu sei, mas importantes, que se abrem portais da nossa espessa camada de orgulho, e então a divindade pode subitamente se mostrar… Não que ela não estivesse ali. Ela sempre esteve. Mas nós é que estávamos incapacitados de olhar, e ver…

A César o que é de César

Um outro fator que pessoas espiritualistas em busca da realização pessoal têm dificuldade de entender, é que o mundo da matéria funciona com suas próprias leis, e que o mundo da energia sutil funciona com outras leis. Enquanto conversava com minha filha sobre planejamento financeiro, foco, exercício de sensibilização para as metas, planejamento, etc., minha mãe, ao lado, dava seus pitacos: tem que orar. Tem que acreditar em Deus. Tudo é obra divina. E por aí vai… E por aí foi…

Procurando não ser maldoso, questionei minha mãe: estes conselhos que você está dando fizeram efeito na sua vida? Você é bem sucedida financeiramente? Foi feliz no trabalho? Se realizou? E emendei: qualquer conselho só é válido quando vivenciamos na prática aquilo que estamos aconselhando. Caso contrário, pode até ser um bom conselho, mas não passa de “achismo”.

Claro que acredito na oração e respeito os ensinamentos espirituais que a minha mãe diz. Mas até por ter vivenciando por muitos anos uma vida de intensa busca espiritual e pouca realização material, descobri, através da dor, que apesar de eu orar, meditar, fazer práticas, dedicar meu tempo para as religiões, fazer serviço filantrópico e muitas outras tarefas que meu coração queria, eu não ganhava dinheiro. E nem me sentia feliz com meu trabalho.

Foi preciso eu chegar bem no fundo do poço para descobrir coisas tão óbvias, mas  que naquele momento, eu não percebia:

Eu não tinha disciplina. Não conseguia ter metas e planejar passo a passo para alcançá-las. Era totalmente instável emocionalmente e estava mais preocupado com meus nhé-nhé-nhém emocionais que com o trabalho. Tinha medo das pessoas e não gostava de atender meus clientes. Ficava preso nas discussões e problemas dos outros e perdia meu foco. Enfim, eu era uma anta. Fazia tudo que um líder de si mesmo não deveria  fazer, e lógico, tudo dava errado.

Somente então, também com muitos estudos e autoinvestigação, percebi que tinha uma lógica para o caminho do sucesso:

1 – estar bem com o passado – há a necessidade de transmutar as energias emocionais e sistêmicas que bloqueiam a força vital de se manifestar em direção à realização;

2 – controlar amorosamente a mente – o pensamento precisa ser controlado, os hábitos dominados, as estratégias afiadas, o foco mantido…  e isso se faz com muito treinamento;

3 – cuidar do corpo e mantê-lo saudável – sem energia para tomar as ações diárias, nada vai para frente. Aprender a parar, fazer terapias, atividades físicas, eliminar vícios… tudo isso auxilia para que a nossa “máquina” não emperre no momento em mais precisamos dela – e se queremos verdadeiramente o sucesso, vamos precisar muito!;

4 – conexão constante com a Fonte – aí entra a espiritualidade. Embora possamos entender Fonte como Deus, eu superior, centro, Jesus, tudo, nada, etc., é da inspiração que sabemos para onde devemos ir, o que fazer, quais nossos dons, o que temos a dar para o mundo. Quando construímos metas baseadas somente na mente racional, em geral estamos seguindo os caminhos que alguém disse, e buscamos somente dinheiro, sucesso, visibilidade, coisas que são boas, porém, não nos completam. Quando intuímos o caminho, o sentido de estar realizado imediatamente se instala, mesmo que não tenhamos alcançado a meta. Porque, neste caso, não existe fim. O caminho será a meta.

Muitos não entendem isso, mas a realização pessoal faz parte da realização espiritual. Todo mundo que deseja realmente estar conectado com a Fonte, será provocado a se bancar materialmente, a dominar a si, a ser líder diante de outras pessoas, a exercitar seus dons e talentos, a desenvolver a compaixão, e tornar-se um ser confiável. A questão é não se perder nem de um lado, nem de outro. É importante saber jogar, utilizar as ferramentas adequadas para cada situação, e entender que, no fundo, tudo isso passa. Nesta escola que vivemos, estamos sendo convidados a nos conhecermos em todos os aspectos possíveis, para em algum momento, descobrirmos que somos muito além… Haverá a todo instante um convite: faça, e se desapegue. Faça e se desapegue. Cultive sua personalidade, e depois, deixe-a ir embora. Construa, faça o seu melhor… e depois doe. A matéria passará. As obras espirituais passarão… Assim é o jogo… Quem somos?

Se entendermos um pouco desta brincadeira, pode ser bem divertido…

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