Entrega espiritual para a concretização material

ganhar dimdim

 

Sempre me pareceu incoerente o papo desenvolvido por pessoas espiritualistas que aparentemente não tinham planos e entregavam tudo nas mãos de Deus, e as pessoas materialistas, metódicas, objetivas, que acreditam única e exclusivamente no foco mental, planejamento e estratégia para conseguir objetivos. Incoerente até porque eu sou os dois: creio desde muito numa força maior que comanda tudo e todos, apesar e além das minhas vontades, e também creio na minha mente, altamente estratégica, que acredita estar criando coisas neste mundo material. E aí? Existe alguma forma de agir de comum acordo com esta aparente incongruência?

Vou perguntar de outro jeito: como ser um ser plenamente espiritualista, que age e trabalha com fé e entrega, e ao mesmo tempo, utilizar minha mente para concretizar metas objetivas na minha vida? Deus está de acordo com o que penso e planejo? Deus quer que eu realize meus sonhos? Vamos desenvolver um pouco esta ideia…

 

O ego necessita ser forte, para ter fé

 

Tirando casos de pessoas que já nascem com uma fé inabalável, que acredito existir, tenho percebido na minha vida que a fé é algo que surge, vem tomando conta de mim, vagarosamente. E sabe como? Quanto mais eu percebo que, apesar da minha forte vontade e ação em determinado rumo, os planos não dão totalmente certo, ou mesmo que deem certo, não me dão prazer duradouro – e então meu ego recebe uma porrada digna de Anderson Silva, neste momento, rendo-me um pouquinho. Desisto de querer dominar os resultados da minha vida, e tentar achar as soluções somente com minha pobre mente racional. Abro-me para que um poder maior dirija meus rumos, e a partir de sinais, sincronicidades, percepção interna de bem-estar que não passam pelos pensamentos, vejo que o caminho está correto. E a minha fé vai ampliando, ampliando, ampliando. Descubro que, quanto mais entrego os resultados nas mãos de Deus, mesmo que este resultado signifique não concretizar meus planos mentais, mais sinto que estou sendo guiado e outras portas se abrem. Não é sempre confortável, porque o ego fica frustrado, de bico, faz manha e bate o pé. Helen Keller diz: “A personalidade não pode ser desenvolvida de forma fácil e tranquila. Somente por meio da experiência do ensaio e do sofrimento a alma pode ser fortalecida; a visão, esclarecida; as ambições, inspiradas; e o sucesso, conquistado”.

Ouvi de um mestre espiritual, Prem Baba, certa vez, algo mais ou menos assim: é necessário ter um ego forte para poder se entregar a Deus. Um ego fraco, de pessoas sem opinião, sem personalidade, que não sabem o que quer, não está pronto para se entregar… só pode entregar aquilo que se tem. Uma pessoa sem dinheiro não pode dizer que é desapegada. Só uma pessoa rica pode desapegar do material. E uma pessoa sem personalidade não pode entregar o seu ser à condução divina.

 

Planejando com o coração, concretizando com a mente

 

A pessoa que já sabe o que fazer com a mente, pois já tentou, tentou e tentou ter sucesso financeiro, familiar, profissional, esportivo, etc., e muitas vezes concretizou diversos planos, enquanto fracassou em outros, esta está pronta para a entrega. Desde que ela perceba que, por mais que se ganhe através dos planos egóicos – dinheiro, amor, amizades, respeito, carinho, segurança, sucesso – nada disso se compara ao poder, sabedoria intuitiva e equilíbrio que a conexão com o seu ser divino, espiritual, lhe dá. Centrado, você sabe que não precisa absolutamente de nada. Nada mesmo. Já possui tudo, aqui e agora. É uma sensação interna, não apenas uma afirmação mental. Você se sente preenchido, pleno, abraçado pela infinita prosperidade do universo. A partir daí, você age, simplesmente para refletir o que você já sente. Você está agindo a partir da sensação de abundância, que é divina. E não através da sensação de carência e falta, que é a postura que o ego assume. Por exemplo, o ego deseja ser rico porque se sente pobre. Deseja sucesso porque se sente não reconhecido. Deseja prazer porque se sente infeliz e dolorido. E assim por diante. Mas a ação através do centro, que podemos chamar também Eu Superior ou Deus, se dá assim: eu entendo e tomo posse do que tenho abundantemente dentro de mim. Pode ser talento para cantar, escrever, dar aulas, curar, consertar, criar, fazer artes, dançar, cultivar, costurar. Eu olho para minhas mãos, pés, corpo, mente trabalhando e sinto energia divina fluindo por elas. E sei que sou um instrumento. Os produtos do meu trabalho ou serviço estão a disposição de mais e mais pessoas. Eu sinto necessidade de dar. E então é possível planejar como, quando, onde, com quem… Usar o conhecimento do planejamento de metas para estruturar meu foco, minha estratégia, minhas ações.

Isso é importante – planejar mentalmente, porque a mente tem a tendência de se perder o tempo todo. Se estou imbuído em uma missão de trabalho, onde realmente quero que isso frutifique, não por mim, mas para que mais e mais pessoas usufruam do que faço, preciso utilizar o tempo de maneira planejada. O que não significa se matar de trabalhar. Cada ser humano deve buscar o seu próprio ritmo, perceber os desvios de foco e energia, abastecer-se de vida através de hábitos saudáveis, para que o fluxo do trabalho possa ser contínuo. Em alguns momentos será importante trabalhar 18 horas por dia. Em outros momentos, uma vez por semana. Mas existirá um fluxo, e você se sentirá tranquilo e preenchido pela forma com que faz seu trabalho fluir. Cobrança mental por resultados? Nunca, afinal, você confia que está tudo bem e não tem lugar a chegar. Sabe que está sendo guiado o tempo todo.

Quando um plano material está verdadeiramente inspirado pelo divino, muitas coisas funcionam de forma não lógica. Portas inesperadas se abrem. Apoios surgem do nada. Ideias geniais são despertas. Ações mínimas provocam grandes efeitos. Existe um fluxo, como se você, tocando afinadamente o seu instrumento, fizesse parte de uma grande orquestra, regida pelo universo. Nesta orquestra, a música flui, as vezes aceleradamente, as vezes calmamente, porém, em harmonia.

 

O que acho que é mais importante, e talvez o mais difícil de assumir, pois o ego, apesar de ser tão arrogante, é medroso, é exatamente se abrir para oferecer seus talentos divinos à humanidade. Geralmente projetamos as coisas em busca de segurança, conforto e carinho para si. Isso quer dizer que me sinto pobre, desconfortável, mal amado. Tenho medo de perder a miséria que acredito ter e ser… Isso é um fato normal, pelo qual quase todos nós passamos. Temos a síndrome de Adão e Eva: fomos expulsos do paraíso, perdemos o bem-bom! Vivemos com insegurança e medo… e avidez por prazer e conforto. Tanto o medo como o desejo devem ser trabalhados, pois são nocivos para seus propósitos de missão de vida. Se tenho medo, não acredito em Deus. Se tenho desejo, não acredito em Deus. Simples, não é? Porém, por mais incoerente que possa parecer, é necessário focar e se esforçar por progredir, como também estar em busca espiritual que nos leva, em algum momento, a perceber que somos filhos de Deus e temos tudo, tudo, tudo… E toda a carência é uma ilusão da mente e todos os medos são ilusões das emoções.

Este é o caminho das pedras, a jornada em busca do seu próprio cálice sagrado. E aí, em algum instante, você despertará, e perceberá que já tem muito a oferecer. E colocará o seu “barco no mar”. Com perseverança e fé, erros e acertos, inteligência e assertividade, intuição e ação, perceberá que a prosperidade encontrará você em algum ponto da jornada. Mas o fator principal é estar aberto para se doar à humanidade. Como diz Ralph Waldo Emerson, “torne-se necessário ao mundo e a humanidade lhe dará o pão”.

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